quarta-feira, 12 de agosto de 2015

Diário do pé quebrado - Dia 41

Primeiro dia de pós operatório . Pois é galera, não teve jeito . Na semana passada fui em um especialista de pé, que pediu uma tomografia , a qual não mostrou nenhum sinal de recuperação do osso . Na sexta feira ele indicou cirurgia, daí fui correr atrás dos exames pré operatórios : exames de sangue, raio x de tórax, eletrocardiograma . Ontem fui para o hospital, um em que já trabalhei e do qual não trago lembranças muito boas ,apesar da infra-estrutura . Fui para o centro cirúrgico, pegaram minha veia, o anestesista fez umas perguntas, e daí puff, eu apaguei , isso acho que por volta de umas nove da manhã . Acordei por volta do meio dia, depois de uns 5 minutos dormi novamente até umas duas e meia da tarde. Quando eu tomo essas anestesias em que a gente não se lembra de nada , parece que um pedaço da minha vida foi roubada. Mas quem sabe é melhor mesmo não lembrar de nada, do que me lembrar do som de uma furadeira fixando placas e sete parafusos no meu pé , né ? No período da tarde tomei um soro grande e mais dois pequenos com medicação. Minha alta estava prevista para as 18 horas . Alguns minutos antes da alta, viream me aplicar ranitidina na veia e passei mal , com dor no peito, falta de ar, taquicardia, mediram a minha pressão, subiu para 15x7 , daí tive que tomar um outro remédio para a pressão baixar . O médico pediu um eletro, o aparelho estava quebrado, daí como depois de um tempo a pressão baixou, eu conversei com a enfermeira, que me liberou . Chegamos em casa quase 10 da noite , minha filha preparou uma mini festa de recepção, com uma torta e uns docinhos , muito fofa . Tomei banho . Não estava com dor , mas mesmo assim tomei um dos remédios antes de dormir . Hoje acordei às 6:30 com dor . Tomei 2 remédios . Esperei 2 horas, nada. Daí tomei o terceiro , o mais forte de todos. A dor está um pouco melhor, mas ainda está aqui. Sinto o pé latejando quando ele fica para baixo . Sei que alguma hora isso vai passar, mas está difícil . Esse último remédio que tomei me deixa com um pouco de sono, meio grogue, mas a dor ainda está aqui . Puxa vida. Então é isso, na sexta feira irei ao médico novamente , vamos ver como as coisas ficam .

sábado, 18 de julho de 2015

Diário do Pé quebrado - 17 dia

Pude descobrir na prática que a fraturas dói quando : o tempo vai esfriar , continua doendo enquanto está frio, dói quando está nublado, dói antes de ficar nublado . Quando o dia está bonito e ensolarado, as fraturas ficam felizes, quietinhas e bem comportadas .
Também , quando ando de carro, as pequenas oscilações durante o movimento causam incômodo.
O que funcionou para mim, nos dias frios e nublados, foi usar duas meias no  pé, mesmo não estando com frio.
Hoje no final da tarde fui com o meu pai no caixa eletrônico. Escadas são um desafio . Entrei e saí do banco pela rampa, mais fácil . Elevações bruscas e os desníveis entre a rua e a calçada também são .
Depois fomos comprar comida para viagem para jantarmos em casa . Tive que subir dois degraus no restaurante , e me desequilibrei com as muletas, quase caí . Daí acabei pondo o pé quebrado no chão , e ele está um pouco dolorido agora . É a terceira ou quarta vez que acabo apoiando o pé esquerdo no chão . Fico com medo disso prejudicar a recuperação da fratura.

sábado, 11 de julho de 2015

Dia 10 - sábado à noite

Hoje o dia começou até que bem . Mas choveu à tarde, e descobri que as fraturas doem mais quando o tempo vira, e quando esfria . Ainda não consegui decidir se a dor é como uma faca incandescente ou um espinho fino de gelo, no lugar em que o osso está quebrado . Quando eu era criança, me lembro de às vezes estar tomando banho na água bem quente, e perceber o quente como frio . Tomei um tandrilax agora à noite, e a dor está melhorando .
Sobre o processo de tomar banho :
Na primeira semana , eu estava usando uma tala gessada . Então tinha que amarrar um saco de lixo preto grande até quase o joelho, pra não molhar essa tala . Há 3 dias estou usando o robofoot, que pode ser retirado na hora do banho , então menos uma etapa.
Vou de muletas até o banheiro, daí tem um banquinho de plástico em que eu me sento, passo sabão no corpo . Depois fico de pé apoiando o joelho esquerdo nesse banco . É o mais próximo de ficar de pé em duas pernas que sinto . Pelo menos assim não cansa muito a perna direita .
Na hora do banho consigo perceber já a assimetria entre as pernas e os pés , a atrofia muscular que já está acontecendo do lado esquerdo . Queria poder fotografar essa involução , mas geralmente nessa hora estou sem o celular. Também consigo perceber a evolução dos hematomas : verde, roxo  agora estão clareando .
Antes de eu entrar no banho, tenho que ver se o shampoo e o condicionador estão ao meu alcance. Na primeira semana não estavam, e , ao tentar pegá-los, levei um tombo, o único até agora . Também teve umas duas  desequilibradas, fora do banho , mas não cheguei a cair .
Muletas escorregam em chão úmido .Mas acho que já tinha dito isso.
Já estou ficando com sono .
Meu marido e as crianças foram numa festa junina numa chácara, mas lá as condições são adversas para pessoas provisoriamente dotadas de necessidades especiais, como eu , então eu preferi ficar em casa de molho, sem passar frio .

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Diário do pé quebrado - dia 9/10

Meia noite e meia, acabei de assistir o segundo episódio do dia de Greys Anatomy .
Novidades do dia : desde que pus o robofoot tamanho G, senti que ele estava me atrapalhando e não estava dando firmeza ao pé, ele é tamanho G e o meu pé seria para tamanho M . Hoje consegui emprestado um tamanho M e pus . Ficou perfeito , mais macio no pé, mais firmeza.
Hoje fez sol e deitei por alguns minutos num colchão para tomar sol lá fora . Pura alegria .
Outras coisas boas do dia : joguei super trunfo com o meu filho de 9 anos . Cantei com a minha filha de 3 anos . Ela dormiu nos meus braços . Há muito tempo eu não tinha tempo para isso .
Estou sentindo um pouco de dor nos joelhos . Minha justificativa : Agora a perna direita tolera o peso do corpo todo. É como se de repente para essa pobre perna e suas articulações, eu tivesse me tornado uma obesa mórbida .
Por falar nesse assunto ...
Minha mãe morreu de obesidade mórbida . Nos últimos anos de sua vida, ela viveu acamada , dependendo das pessoas ao seu redor para muitas coisas . Não estou obesa mórbida, mas mesmo assim a vida está me dando uma amostra grátis de 2 meses, do que foi a vida dela nos seus últimos 8 anos de vida, de 2004 a 2012. Eu já tinha percebido isso, mas não havia comentado com ninguém, porém há uns dois dias atrás minha filha mais velha me disse : você está me lembrando tanto a vó . Eu disse : eu sei.
Tenho vontade de comer doces todos os dias . E estou comendo . Morrendo de medo de engordar, mas continuo comendo . Não essa noite, na anterior, eu sonhei que estava em um lugar que me lembrava um desses restaurantes de hotel, com buffet de café da manhã. E havia deliciosos mini muffins de chocolate com gotas de chocolate neles, eu queria pegar um mas não podia, então peguei escondido. Não costumo sonhar com comida . Acho que é a mente buscando fugas, formas de prazer . Mesmo em sonhos . Que coisa maluca.Também tenho sonhado bastante que estou andando, indo a lugares, dirigindo, fazendo coisas .
Tudo, absolutamente tudo, pode se tornar um vício . Comer demais . Assistir séries de TV demais . Ficar no whatsapp demais . Ver facebook demais . Mesmo estando em casa, com o pé direito imobilizado, vejo o tempo todo essa minha tendência auto destrutiva querendo aflorar, de uma ou outra forma , querendo me desligar da minha realidade, me desconectar de mim e dos outros, roubar meu tempo .
No dia em que eu quebrei o pé, comecei a fazer planos , tipo : vou ler e revisar bastante coisas sobre a minha área de atuação . Vou dormir mais. Vou aproveitar mais o tempo com os meus filhos . E não estou fazendo nada disso . Tudo está ficando bagunçado.
Preciso de um plano de ação, e de colocá-lo em prática .
Por hoje é só .

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Diário do pé quebrado - dia 7

Hoje tirei a tala gessada e estou usando uma coisa chamada robofoot.
Vi o meu pé, depois de 7 dias com a tala gessada.
Um pouco de inchaço no local da fratura . 2 hematomas . Acho que a musculatura do tornozelo já está atrofiando.
Posso ficar feliz por ser inverno, porque não suei, não tive coceira absurda e nem o pé e nem o tornozelo estavam fedendo.
Saldo da semana : chorei na quarta e na quinta feira .
Na sexta feira levei um tombo no banheiro . Na segunda feira me desequilibrei e quase caí na cozinha , mas não caí .
Aprendi a apoiar o joelho esquerdo numa cadeira de escritório com rodas, o que me facilitou muito a vida .
Descobri que não consigo carregar quase nada usando muletas . Também não consigo ficar muito tempo apoiada no pé direito , ele dói e cansa depois de algum tempo.
Chão molhado faz a muleta escorregar.
Acho que quando parar de usar muletas vou estar com os braços e ombros de um estivador.
Nada de pilates, nada de caminhadas, nada de trabalhar .
Só ficar em casa, a maior parte do tempo sentada .
Não sei como as pessoas se viravam com ossos quebrados antes de internet, whatsapp, facebook .
Acho que vou virar uma baleia . Tenho medo de engordar . Quanto mais penso nisso, mais me dá vontade de comer . E mais medo de engordar . Já acho que as minhas bochechas estão ficando maiores . Acho que estou ficando louca.
Tenho muito medo de entrar em depressão.
Amanhã escrevo mais .

Diário do pé quebrado

Há uma semana atrás, eu estava vivendo a minha vidinha normal. Estava de plantão num hospital que tem acho que uns 5 andares. Eu nunca pego o elevador porque ouvi no rádio que andar de escadas é bom pro coração e pra saúde .
Pois bem, na quarta feira passada, dia 1 de julho, por volta das 13:30, eu estava descendo a escada . Por quê ? Porque subir é mais saudável que descer, então eu ia descendo mais um lance de escada só pra subir mais um lance de escada e acrescentar mais passos para a minha contagem diária de passos do dia.
Pois bem, faltavam 2 - DOIS - degraus para descer a escada, e desviei o olhar por uma fração de segundos para pegar o celular no bolso da calça. Então me confundi e pisei errado . Eu estava no penúltimo degrau da escada, e não no último. Errei o passo . Caí uma pequena queda , mas torci o pé esquerdo . Doeu MUITO na hora, mas consegui pisar no chão, meio mancando . Então subi a maldita escada e peguei o elevador porque o pé estava doendo muito .
Daí descansei com o pé pra cima por meia hora . A dor ficou localizada em só um ponto do pé. Achei melhor ir fazer um raio x . Tinha certeza de que não daria nada.
Mas deu .
Fratura do quinto metatársico, também conhecida como fratura de Jones .
Não acreditei. Na minha cabeça, fratura era uma coisa das pessoas gritarem e rolarem no chão . Eu nao gritei e não rolei . Até então nunca tinha quebrado nenhum osso na vida . Até que não foi nada mal né, 38 anos intacta.
Então avisei o chefe . E fui dirigindo com o pé quebrado até o hospital mais próximo da minha casa.
Previsão: 2 meses sem pisar . Muletas . 50% de chance de cirurgia .Perdi a minha liberdade e autonomia.Chorei voltando pra casa . Meu marido, do meu lado, dirigindo o carro, nem percebeu . Ou fingiu que não percebeu, sei lá.